As obras de restauro da Casa
Augusto Wilhelm - CAW seguem a pleno, chamando a atenção dos que passam por
aquele importante trecho da Rua Sete de Setembro. De longe o tapume que protege
a edificação atrai o olhar dos transeuntes, assim como a placa e sua riqueza de
detalhes, como informações sobre a obra e a indicação dos responsáveis
técnicos. A placa ressalta também que a CAW é bem inventariado de nosso patrimônio
histórico, condição que eleva o grau de exigência dos trabalhos de recuperação.
Mas não é só o tapume e a bem
cuidada placa que chamam a atenção. Desde a semana finda, uma plataforma
elevatória inédita em obras do gênero está garantindo a segurança dos
trabalhadores na remoção das camadas de tinta, especialmente nas partes altas e
nos delicados detalhes arquitetônicos. A utilização do equipamento expressa a
atenção e o cuidado que a Sra. Lúcia Wilhelm Véras de Miranda está tendo com a
edificação de sua família e com os que trabalham na sua revitalização.
Uma grata visita às obras
aconteceu em 1º de maio, quando o restaurador Antônio Sarasá, do Estúdio
Sarasá, foi conduzido pela arquiteta Elizabeth Thomsen aos ambientes da CAW.
Fascinado pelos detalhes da edificação, Sarasá, que foi o responsável pelo
restauro do Château d’Eau e orientou a recuperação das estátuas do frontão da
fachada da extinta União de Moços Católicos, demonstrou entusiasmo com a
descrição das diversas etapas a serem desenvolvidas, emprestando sua expertise
na área em generosas observações.
Também desfrutaram do momento de visita guiada: a presidente do COMPAHC, Ione M. Sanmartin Carlos, a conselheira Mirian R. M. Ritzel, o antiquário Luciano Santos e o fotógrafo Renato Thomsen.
Segundo a arquiteta Elizabeth
Thomsen, o trabalho agora está focado na remoção da tinta que cobre a fachada
da Casa Augusto Wilhelm, quando foram descobertas oito camadas empregadas no
período de 100 anos que a edificação possui. A cor utilizada com maior regularidade
e em diferentes nuances foi o verde que, segundo Lúcia W. Véras de Miranda, era
a favorita de seu avô Erwino, filho do fundador Augusto Wilhelm.
Enquanto as paredes passam pela
limpeza e remoção das camadas pictóricas, uma cuidadosa observação dos
arabescos que enriquecem o frontão e guarnecem as molduras das aberturas
permite revelar detalhes, exigindo também habilidoso manuseio dos instrumentos
de trabalho.
Processos de restauro de bens com riqueza arquitetônica, como as que a CAW possui, além do desafio imposto aos envolvidos, é como uma viagem no tempo, permitindo que do passado se revelem técnicas construtivas, a simbologia que representava o pensamento dos seus idealizadores e os propósitos da edificação. Mas também permite que se pense na iniciativa daqueles que objetivam no presente dar futuro para um bem que carrega em si um tanto de história, de memória e de afeto.
O
calçamento decorado da Rua Sete de Setembro, quadra conhecida como “Subida dos
Bancos”, tem sido paulatinamente arrasado em sua geometria quando há
necessidade de “consertar” vazamentos ou estragos provocados pelas chuvas.
No último mês
de fevereiro, em razão de volumosa chuva que se precipitou sobre a cidade, a
Secretaria Municipal de Obras precisou escavar toda a lateral esquerda da
quadra decorada, no sentido sul/norte, para ajustar o sistema de canalização
das águas pluviais. A obra exigiu a retirada de todos os paralelepípedos,
desfazendo o mosaico original ali assentado.
O calçamento
foi caprichoso trabalho realizado em 1927 pelo empreiteiro José Torrano e
equipe, especializados nesse tipo de pavimentação. Como a quadra em questão era
a primeira da Rua Sete de Setembro, a partir da antiga estação ferroviária,
decorar o calçamento foi forma de dar boas-vindas aos que na cidade adentravam
por aquele quadrante. A Rua 15 de Novembro, fronteira ao antigo Paço e ao
Château d’Eau, bem como a quadra defronte à Catedral ostentam trabalhos
semelhantes também executados sob a orientação de José Torrano.
A retirada
total dos paralelepípedos para a execução das obras de canalização causou
preocupação. Mas o que poderia se tornar um desastre na recolocação aleatória
das pedras transformou-se em grata surpresa pelo cuidado na reposição das peças
que compõem o mosaico. Os calceteiros Maurício Berté Oliveira, Vanderlei Gomes
do Nascimento e Moisés Domingues Nunes trabalharam incansavelmente para
devolver àquela quadra especial da Sete a sua condição de “tapete” decorado.
O trabalho
exigiu um planejamento gráfico, a partir do padrão existente na parte oposta da
obra, incluindo a busca de pedras pretas faltantes, distribuídas em outras ruas
da cidade.
Muitas foram
as manifestações de apreço pelo belo e cuidadoso trabalho dos servidores da
Secretaria Municipal de Obras, com créditos ao secretário Luciano Lara, que
soube reconhecer o valor histórico-cultural daquele trecho da Rua Sete de
Setembro, priorizando sua recomposição mesmo diante da grande demanda de
trabalho afeito à sua pasta.
Parabéns aos
envolvidos! A nossa história agradece!
O restaurador Antônio Sarasá chegou no dia 24 de fevereiro à Cachoeira do Sul, para procedimentos de manutenção estética e preventiva no monumento histórico Château d'Eau, conforme mostra a reportagem da TV NTSul no link abaixo:
Junto também veio o técnico Dedé, que já trabalhou no restauro do Château d'Eau e na edificação da União de Moços Católicos:
A arquiteta Elizabeth Thomsen entregou ao restaurador um exemplar do livro #belaquesóela, comemorativo aos 200 anos de emancipação do município. Nele aparece o trabalho do Estúdio Sarasá em várias imagens:
A Diretora do Arquivo Histórico Municipal, Profª Mirian Ritzel, também foi conferir de perto as obras de limpeza:
No dia 25 houve uma reunião na Casa de Cultura, para troca de informações e instruções que serão repassadas a alguns funcionários municipais sobre os procedimentos corretos para a manutenção do monumento ao longo do tempo.
Os trabalhos de manutenção preventiva e a limpeza terminam no sábado, dia 27 de fevereiro, quando então Antônio e sua equipe retornam para São Paulo. Mas ele disse que em breve voltará à Cachoeira do Sul para prestar uma homenagem ao amigo Osni Schroeder, ex-presidente da AMICUS, recentemente falecido.
Um presente para a centenária Casa Augusto Wilhelm
Quando os proprietários da Casa
Augusto Wilhelm começaram a empregar o famoso slogan “Insista, periga ter”, provavelmente não dimensionaram a força
que ele teria no imaginário das gerações que a frequentaram. Mesmo decorridas
décadas do encerramento das atividades e o centenário de fundação, muitas são
as lembranças sobre o interior da loja, as promoções, os proprietários, os
atendentes e a variedade e diversidade dos produtos que comercializava.
“Insista, periga ter” tornou-se o
espírito do negócio e praticamente o sinônimo da Casa Augusto Wilhelm, pois não
há quem dela fale sem associar às lembranças o dito que pendia escrito numa
placa.
Pois agora, como um presente pelo
centenário completado em 17 de janeiro de 2021, o prédio que abrigou a casa passará
por caprichado restauro da fachada, sem descuidar das suas bem conservadas
instalações internas. O trabalho será dirigido pela arquiteta Elizabeth
Thomsen, profissional que ali empregará toda expertise na área, aliando ao
trabalho o entusiasmo e o amor que nutre pelos bens da memória cachoeirense.
Em um celebrado anúncio à comunidade, a engenheira Lúcia Wilhelm Véras de Miranda, uma das proprietárias do imóvel, enfatizou que mais do que o compromisso com o patrimônio arquitetônico, cultural e afetivo da comunidade, a família tratará a edificação com o respeito devido a Lya Wilhelm, uma das maiores lideranças culturais do município, especialmente no que tange à preservação dos bens de memória.
A Casa Augusto Wilhelm recebe um
presente pelo centenário e Cachoeira do Sul retomará, com seu restauro, a
dignidade que aquela nobre quadra da Rua Sete de Setembro ostentava desde 17 de
janeiro de 1921, quando viu se abrirem as portas da loja que nunca mais saiu da
lembrança de quem um dia por ela transitou.
Mirian R. M. Ritzel,
09/02/2021
Jornal do Povo - 10/02/2021
Jornal do Povo - 02/02/2021
Abaixo o link para a reportagem da TV NTsul - Cachoeira
O desaparecimento precoce de Osni Schroeder, arquiteto e
defensor dos valores da cultura cachoeirense, ocorrido em 18 de dezembro de
2020, segue repercutindo.
Sua participação permanente e inconteste na defesa do
patrimônio cultural de Cachoeira do Sul foi marcante o suficiente para que
formadores de opinião das mais diferentes áreas reverenciem seu nome e atuação,
destacando os atributos do cidadão que soube fazer uso não somente dos seus conhecimentos
profissionais, mas principalmente do seu compromisso e amor pela terra natal,
para promovê-la e enaltecer os seus valores e potencialidades.