sexta-feira, 13 de março de 2020

CACHOEIRA DO SUL - 200 anos

Bela que só Ela


          Cachoeira do Sul, ao completar 200 anos em 2020, estimulou um grupo de cachoeirenses ligados à cultura, a marcar esta data tão importante com um documento que registra para a posteridade, em imagens e textos, o que foi o nosso passado, o que é o presente e qual a perspectiva do futuro.

          Optou-se por este formato inovador, destacando o Patrimônio Histórico legado pelos nossos antepassados, oposto ao livro de Benjamin Camozzato em celebração aos 100 anos de Cachoeira, que era mais informativo da economia e da história.

          Inicialmente um grupo de WhatsApp, denominado Cultura Cachoeira do Sul, foi o meio onde este sonho alçou voo para uma realidade que se consolida a cada dia, unindo praticamente todos os participantes oriundos dos grupos de voluntários pelo restauro da Ponte de Pedra e do Paço Municipal.

          Os parceiros começaram a se reunir, definindo a publicação como um livro-arte com encadernação de alta qualidade, próprio para presentear terceiros, expor na mesa da sala, do escritório e estar no coração dos cachoeirenses.

          Hoje a formatação do livro, com suas imagens e textos, está praticamente consolidada com trabalho a várias mãos, da historiadora Mirian Ritzel, do idealizador Eduardo Florence, dos parceiros Ione Carlos, Armando Fagundes, Elizabeth Thomsen, Marô Vieira da Silva, Renato Thomsen, Robispierre Giuliani, Cesar Roos entre tantos outros.

          A captação de recursos junto à comunidade está sendo comandada pela AMICUS (Associação Cachoeirense dos Amigos da Cultura), na pessoa da presidente Marisa Sari, sua diretoria e outros parceiros na viabilização da publicação, sendo fantástica a repercussão junto a empresários cachoeirenses que se associam ao projeto gráfico.

          O nome do livro, sugestão da parceira Marô Vieira da Silva, é CACHOEIRA DO SUL  #belaquesóela  -  200 anos.

          A edição do livro está a cargo do editor Rodrigo Keller, do Viveiro Cultural e a publicação a cargo da empresa cachoeirense Gráfica Jacuí.

          Presentemente há a expectativa de se editar 1000 livros, ficando uma parte dos exemplares com os parceiros contribuintes da publicação e outra com a AMICUS, que os fará chegar em outras instâncias da comunidade cachoeirense.

Osni Schroeder






terça-feira, 3 de março de 2020

PONTE DE PEDRA - Não era tarde


              Relembrando o colapso da cabeceira da Ponte de Pedra em janeiro de 2010, o arquiteto Osni Schroeder, coordenador da recuperação, escreveu o texto abaixo dando vida ao antigo monumento:




NÃO ERA TARDE

Era uma madrugada difícil para a velha ponte, acompanhada pela lua,
de alguns pássaros da noite e pelo rio que corria mansinho lá embaixo.
Ela revisava sua vida, esperando que alguém viesse salvá-la!
  
Cachoeira sabia que águas violentas já soltavam suas pedras,
levando-as embora mas não se importava muito.

Então, para dar-lhe um choque, numa enchente das grandes,
ela mandou uma das suas cabeceiras se atirar no rio!

A pobrezinha relutou! Não queria abandoná-la!
Mas obedeceu contrariada, e se atirou pesadamente na água.

Quando a viu afundar entre ondas e respingos, a velha ponte
arrependeu-se do que fizera, arrepiada com o silêncio que veio depois.
 
E ficou então ali, esquecida e ferida, temendo a próxima
enchente que poderia lhe ser fatal.

Ninguém sabia, mas ela já havia sido uma imensa
pedra viajante pelo espaço que caiu nos campos em volta,
espalhada em mil pedaços, mas íntegra na
individualidade da sua alma.

Um dia uma gente veio de Cachoeira, juntou suas muitas
partes, desbastou suas asperezas e a empilhou perto do rio,
deixando-a ali por muito tempo!

Sua diversão era cuidar o rio que via lá embaixo por uma
clareira aberta no mato, deslizando mansamente entre areias
e pedras.
Ele sabia-se observado e gostava muito
daquele intenso interesse.
Ela já sabia que o amava!

Uma vez ela viu uma enchente chegar forte e o rio
correndo furioso pelo campo.
Só que onde ela estava empilhada ele chegou mansinho,
ficando dias acariciando suas pedras com molhados carinhos,
ao ponto dela, distraída com seus afagos, somente ter
se dado conta que ele ia embora, quando já descia o barranco.

Num verão, viu que começaram a montar suas pedras em
blocos no barranco e no rio, juntando-as com uma mistura
molhada de areia e cal, que gostosamente gelada
no início unia tudo rigidamente quando secava.

Transformaram-na numa ponte de pedra com três vãos
em arco e cabeceiras alongadas para as margens.
Ela alegrou-se porque ligaria Cachoeira e Rio Pardo,
e ficaria para sempre junto do seu rio!

Sua primeira emoção como ponte foi quando ouviu o grito de
tropeiros e o resfolegar do gado no mato, quebrando galhos
no caminho estreito entre as árvores. Ela tremeu com a
rudeza dos cascos dos animais nas suas pedras, e teve
que sacudir-se toda para se recompor, depois que passaram.

Ela viu passar muita gente importante, como o
Antonio Vicente dos Farroupilhas!
Viu passar escravos de olhar envergonhado, viu gente
indo embora para a cidade iludida pelas suas luzes e
facilidades, viu também famílias acampadas no mato e seus
serões noturnos cheios de cantorias de amor à terra e até a ela.

Sua relação com o rio ia bem! 
Em noites enluaradas, ele vinha todo romântico e ela se 
deixava seduzir pelo suave toque das suas águas.
Mas como em jogos do amor, por vezes ele lhe despejava
águas fortes, contrariado porque diziam que fora domado por ela.
Ele não conseguia admitir que a amava!
. 
Em tempos de pouco movimento ela se esticava toda
para ver se avistava sinais do casario
de Cachoeira ou ao menos as torres da Matriz!   
Sem sucesso, tentava pelo menos ouvir alguns dos seus sons. 
Mas nada! Cachoeira era escondida e silenciosa demais!


Distraída nas lembranças da sua vida, a velha ponte
nem notou que o dia chegara trazido pelo sol, mandando
embora a lua e os pássaros da noite.
O rio, meio assustado, corria fininho no seu leito.

Cansada, ela decidiu dormir um pouco!
Se tivesse sorte, sonharia acordar com uma boa realidade.

Por isto não notou, que lá pelo final da manhã,
uma camionete apontou no alto da coxilha,
vinda dos lados de Cachoeira, movimentando-se lentamente
e vencendo um a um os buracos da estrada.
Seus passageiros viajavam em silêncio!
Procuravam até nem se olhar!

Temiam que os estragos que a última enchente fizera na 
Ponte de Pedra, fossem maiores ainda do que o jornal noticiara.
E que talvez fosse tarde demais para salvá-la!

Felizmente, não era tarde!         



OSNI   SCHROEDER





Foto:  Renato Thomsen



sábado, 24 de novembro de 2018

EVENTOS - Workshop Cultural em Caçapava do Sul (17/11/2018)


Voluntários integrantes do Grupo Ponte de Pedra relataram
suas experiências bem sucedidas em Cachoeira do Sul, no
Workshop sobre Patrimônio Histórico de Caçapava do Sul.


       O II Workshop Cultural “Patrimônio Merece Respeito”, realizado nos dias 16 e 17 de novembro, no Auditório do Instituto de Educação Dinarte Ribeiro, em Caçapava do Sul/RS, teve como pauta as edificações históricas Caçapavanas já tombadas pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Estadual (IPHAE), visando o debate para os caminhos da desburocratização no restauro, revitalização da edificação e entorno, para a preservação deste Patrimônio.


     O Poder Público Municipal proferiu sua visão para os “Caminhos da Desburocratização para a preservação do Patrimônio Histórico”.  Estiveram presentes os Promotores de Justiça Diogo Gomes Taborda do Ministério Público Estadual, Professor e Historiador João Timótheo Machado da Secretária Municipal de Cultura e Turismo e Vereador Silvio Tolfo Tondo da Câmara de Vereadores de Caçapava do Sul. A sessão foi mediada pelo Professor e Geólogo Felipe Guadagnin da Unipampa.


Participaram da abertura do evento o Promotor de Justiça, Diogo Taborda,
o Secretário de Cultura e Turismo, João Thimóteo, o Vereador Silvio Tondo,
o Ex-Prefeito Zauri Tiaraju de Castro, historiadores, professores e juristas.

     Experiências bem sucedidas na valorização do Patrimônio Histórico e Cultural foram apresentadas pela Arquiteta Adriana Pagliani Ança Professor e Secretário de Cultura e Turismo de Jaguarão de 2010 a 2016, Alencar Porto, para a cidade de Jaguarão. E da cidade de Cachoeira do Sul, apresentadas pelos técnicos: Líder do Grupo de Recuperação da Ponte de Pedra, Arquiteto Osni Schroeder, Presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico-Cultural de Cachoeira do Sul (COMPAHC), Ione Sanmartin Carlos, Vice- Presidente do COMPAHC e Pesquisadora do Arquivo Municipal, Mirian Ritzel, Coordenadora do Movimento de Restauração do Paço Municipal, Arquiteta Elizabeth Thomsen e o Fotógrafo/Blogger Renato Fontanari Thomsen.


      Os palestrantes Caçapavanos fizeram os diagnósticos dos bens tombados pelo IPHAN: Forte D. Pedro II por Professora Fátima Beatriz Paz e Arquiteta Alice Leal Vivian, e IPHAE: Casa dos Ministérios por Historiador Euclides Torres e Professor João Batista Henriques; Casa Borges de Medeiros pela Advogada Maria Berenice Gervasio Cheuiche; Centro Municipal de Cultura por Secretário Municipal de Cultura e Turismo de Caçapava do Sul, João Timótheo Machado e Secretário de Planejamento e Meio Ambiente de Caçapava do Sul, Flávio Monteiro. O Patrimônio Imaterial foi defendido pela Professora Catia Cilene Moraes Dutra.

    Ainda foram apresentados dentro de tema: Company Town adotado por Baby Pignatari nas Minas do Camaquã pelo Historiador José Deni Rodrigues Silveira e “Aspectos Visuais do Patrimônio de Portugal” por Isa Dóris Teixeira de Macedo.

    Oportunamente, ocorreu uma homenagem ao escritor jaguarense Aldyr Garcia Schlee, Doble chape, pelo jornalista e historiador João Alberto dos Santos e Professor Alencar Porto.


    Também, no ambiente do evento foi exposto um varal de livros históricos de Caçapava do Sul e outro de fotografias com o tema “Caçapava Aérea”.


       "Cidades não são apenas ruas para ir e vir, onde se alinham prédios nos quais se mora e trabalha, mas também lugares que surgiram e se modificaram ao longo dos anos, mudando de cara, revelando a história de determinado número de pessoas que foi ali viver". 
Lia Motta - Arquiteta do IPHAN

      "As cidades vão sendo construídas, apropriadas e reapropriadas, sempre se transformando sobre os objetos do passado. São como um livro, podem ser lidas, contam uma história, passam a provocar questionamentos, e, ao mesmo tempo, proporcionam respostas fundamentais para o conhecimento da história e da cultura dos homens que as construíram e utilizaram este lugar. É importante valorizar exemplares de outras épocas por representarem outro período da história, pois possibilitam aproximar cada cidadão das referências de sua cultura e de pertencer a um determinado grupo social e lugar, fazendo laços e fazer valer o direito que cada um tem de prolongar a vida dos objetos de sua lembrança, história e identidade."
Lislair Leão Marques - Organizadora do Workshop


Biblioteca e Museu de Caçapava do Sul/RS





Clique no Link abaixo, para acessar o Blog

Caminhos do Sul da América, de Lislair Leão

Marques - Caçapava do Sul / RS:







        O evento foi uma promoção do Projeto “Caminhos do Sul da América”, que juntamente com a comunidade Caçapavana, busca criar caminhos para a desburocratização associada ao restauro e preservação do Patrimônio Histórico e Cultural local. 
       A programação envolveu palestras, painéis, experiências bem-sucedidas no setor das cidades de Jaguarão/RS e Cachoeira do Sul/RS, exposições fotográficas e atividades culturais.

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quarta-feira, 18 de julho de 2018

ESTAÇÃO FERREIRA - Encontro com o Comandante do 3º BECmb (18/07/2018)

        
             Ontem, dia 17 de julho de 2018, voluntários do Grupo Ponte de Pedra reuniram-se com o Tenente-Coronel Renato Farias Bazi, Comandante do 3º Batalhão de Engenharia de Combate de Cachoeira do Sul:





           A pauta foi a solicitação, encaminhada pelo Presidente da AMICUS Arq. Osni Schroeder, de mão-de-obra especializada para iniciar a recuperação do telhado que cobre o sobrado da Estação Ferroviária da Ferreira.


           O Comandante Bazi foi receptivo à proposta. Afirmou a disposição do 3º BECmb em, mais uma vez, ser parceiro do movimento de preservação cachoeirense.


            No momento a equipe especializada neste tipo de obra está auxiliando na recuperação de parte do Hospital de Caridade local. Assim que houver a liberação deste efetivo e resolver alguns consertos internos no Batalhão, o Comandante reiterou seu apoio ao Movimento pela Restauração da Estação Ferreira. 


Fotos:  Renato Thomsen
            Inclusive, uma equipe do 3º BECmb compareceu até a edificação histórica para a retirada de um eucalipto com mais de 2 metros de altura que havia nascido na parede junto ao telhado:


 Faça chuva, ou faça sol, a Mão amiga e o braço forte do
3º BECmb confirmam presença na parceria com a comunidade.
Fotos:  Osni Schroeder

terça-feira, 17 de julho de 2018

CATEDRAL - Sarasá apresenta anteprojeto (17/07/2017)

          

             O restaurador Antônio Sarasá, responsável pela recuperação do Château d'Eau, na última sexta-feira apresentou anteprojeto para restaurar o interior da Catedral NªSª da Conceição com o apoio dos voluntários preservacionistas do Grupo Ponte de Pedra:




             Sarasá também demonstrou seus estudos iniciais para recuperar a aura de sacralidade neste espaço de evangelização, através da inclusão de retábulos - (do espanhol retablo)  é uma estrutura de madeira, mármore ou de outro material, com lavores, que fica por trás ou acima do altar e que, normalmente, encerra um ou mais painéis pintados ou em relevo - Wikipedia).



             O Estúdio Sarasá, de São Paulo, elaborou estudos sobre estilos barroco e neoclássico para os três altares que serão erguidos nos retábulos frontal e laterais:

 
 


             O Prof. Arquiteto Mateus Rosada, da UFSM, sugeriu uma ampla mudança nas laterais do arco central da Catedral:


              O Padre Hélvio e o Padre Rech falaram da importância da recuperação da sacralidade deste espaço interior e dos jovens que irão receber este legado. Também alguns membros da comunidade católica manifestaram-se sobre o resgate da arquitetura interna da Catedral, que foi descaracterizada em sua originalidade na década de 60:


 
 
 
 




             O Coordenador Arq. Osni Schroeder finalizou a apresentação. Os eventuais ajustes ao anteprojeto deverão ser elaborados após entendimentos entre os responsáveis e os membros da Igreja, para então dar seguimento à captação de recursos que irão viabilizar o início das obras no interior da Catedral. Já o andamento para o futuro Museu de Arte Sacra, espera a definição de um novo Bispo para Cachoeira do Sul.



   IMPRENSA

Jornal do Povo - edição de 13/07/2018      

Jornal do Povo - JP2 edição de 18/07/2018



Fotos:  Renato Thomsen

sexta-feira, 29 de junho de 2018

CATEDRAL - Cachoeira Abraça seu Patrimônio Histórico (29/06/2018)

              Na tarde chuvosa de ontem, um grande número de interessados em preservar o patrimônio histórico e cultural de Cachoeira do Sul reuniu-se no interior da Catedral Nª Sª da Conceição (antiga Igreja Matriz) para dar as mãos num simbólico abraço na edificação inaugurada em 1792.


Esta ação faz parte do projeto "O Rio Grande Abraça o Patrimônio Cultural" , organizado pelo Conselho Estadual de Cultura do RS e desencadeada ontem, 28/06/2018, em várias cidades gaúchas, visando a proteção e preservação das nossas antigas construções.









A TV NT Sul - NovoTempo de Cachoeira do Sul/RS transmitiu hoje, 29 de junho de 2018, uma reportagem sobre o abraço simbólico dos integrantes do COMPAHC, AMICUS e voluntários do Grupo Ponte de Pedra vídeo abaixo:

Vídeo 5min.  TV NT Sul

Fotos: Renato Thomsen

IMPRENSA

O Jornal do Povo, em sua edição de hoje, publicou a reportagem abaixo sobre o evento:




Coluna de Cleiton Santos no JP:


O Jornal do Povo, em seu suplemento especial "A Cachoeira que queremos" nesta data, destacou o trabalho de proteção ao patrimônio desenvolvido pelos voluntários cachoeirenses:




Realidade Virtual

            Foi feita uma simulação aérea com drone, em RV 360º, onde é possível visualizar em tela cheia todo o interior da Catedral - manipulando o mouse ou movendo o aparelho celular. A foto em Realidade Virtual está no site Skypixel, da DJI. Para acessar clique no link abaixo:





Abaixo, vídeo analógico de 2004 sobre a troca
do telhado na Catedral Nª. Sª. da Conceição:
Vídeo 20min. VHS



Coluna de Eduardo Florence no JP:


Coluna de Dariely Gonçalves no JP: