quarta-feira, 9 de março de 2016

Várias frentes de trabalho



PISO DE MADEIRA NO TÉRREO


            O piso de madeira do salão principal, no pavimento térreo, de construção relativamente recente (década de 60), foi retirado para recomposição com piso de madeira mais próximo da condição original. (tábuas de 30cm largura).




PRESERVAÇÃO DO ANTIGO PATAMAR
         
          Originalmente, a porta de acesso principal ao prédio do Paço Municipal, localizava-se no local onde está a terceira janela no sentido sul-norte. 
        
         Na construção do prédio, o desnível entre o piso térreo e o passeio público era vencido por uma escada externa ao prédio, de três degraus. 
        

        Uma intervenção, provavelmente no início do século 20, eliminou os degraus externos na calçada, criou um patamar interno e aumentou a altura da porta.  Isto aconteceu em todas as portas externas para o passeio público.
       
       Mais tarde, a porta do acesso principal, foi colocada mais ao norte, implantando-se uma janela no local da antiga porta. Então o patamar da porta original foi encoberto pelo novo piso, e ficou ali até ser revelado agora, nas ações atuais de restauro.



PISO ENVIDRAÇADO


             Após análise, decidiu-se manter o patamar de ladrilhos hidráulicos agora revelado, numa espécie de mostruário informativo da sua existência e de suas particularidades construtivas e históricas. Será colocado um piso envidraçado no local, para que permita a visualização do patamar e não haja prejuízo de aproximação de pessoas à janela.




PISO DE MADEIRA NO PAVIMENTO SUPERIOR

          
          
        O piso de madeira do pavimento superior, salão nobre, está sendo retirado. Também de construção estimada na década 60, ele terá recomposição com piso de madeira com tábuas de 30 cm de largura. 
O piso será fixado no barroteamento de vigas de madeira originais.



         
REFORÇO ESTRUTURAL


         A longa viga de madeira que apoia a parede "taipa-de-mão", do pavimento superior, recebeu reforço estrutural metálico para garantir que o movimento de flexão identificado, fique estabilizado.



PORTA PRINCIPAL


        Havia uma linha de pensamento de relocalização da porta principal no seu lugar original. 
       Considerando que a localização atual dá acesso a um verdadeiro eixo principal de circulação no prédio, inclusive dando acesso direto ao elevador para pessoas com necessidades especiais, decidiu-se manter a porta no local onde está. 
      Reforça esta decisão o fato de ser o atual local da porta, o que está no imaginário das gerações mais recentes de cachoeirenses.



ESQUADRIAS INTERNAS E EXTERNAS
           
          A medida que os trabalhos de recuperação e restauração de esquadrias avançam é possível estabelecer que elas foram objeto de várias intervenções de recuperação ao longo do tempo.

         
              Nas janelas externa das fachadas para a praça e rua Gabriel Leon é possível estimar que os marcos são originais da construção, que os tampos de madeira e vidro já estão na "terceira geração" e os tampos internos de madeira na "segunda geração".

Resumindo:
marcos de madeira ___________originais da construção
tampos de  madeira e vidro_____três intervenções exclusive a atual
tampos de madeira ___________duas intervenções exclusive a atual



FUNDAÇÕES

         As fundações, como já referido anteriormente, são compostas de blocos corridos de pedra argamassada na sua parte de elevação do nível do piso natural.


        Para identificar e registrar na integralidade o conjunto de elementos de fundação, será aberta uma "janela" no terreno imediatamente adjacente à parte da fundação enterrada, para que se tenha informações da totalidade da sua composição estrutural, volumetria e profundidade.
Após esta prospecção, o terreno será recomposto na sua condição original.



NOVO LAYOUT DA EDIFICAÇÃO TOMA FORMA


        A visita técnica de integrantes do Movimento Pela Restauração do Paço Municipal revisou a Planta Baixa de Restauro elaborada pelo Arquiteto Júlio Ramos, visto que algumas ações de fechamento de vãos e restabelecimento de circulações originais estão sendo implementadas pelos trabalhadores da Empresa Construções Granzotto.











BROCAS E CUPINS





          Assim como nas paredes taipa-de-mão, as tabuas retiradas dos pisos nos dois andares apresentaram grande infestação de cupins e brocas.


         As novas tabuas adquiridas serão pulverizadas com produtos específicos para combate a estes insetos IsópterosColeópteros.



segunda-feira, 7 de março de 2016

Restauro segue adiantado

PAREDES TAIPA-DE-MÃO

          As paredes divisórias internas, no pavimento superior do prédio do Paço Municipal, são todas montadas no antigo sistema construtivo conhecido como "taipa-de-mão", que pode, na comparação com técnicas modernas, ser chamado como o "gesso acartonado" do século 19.

        As paredes de "taipa-de-mão" são apoiadas na estrutura de madeira do entrepiso de madeira e por esta razão têm a necessidade de serem particularmente leves.


        O sistema "taipa-de-mão" para paredes internas é constituído, no Paço, de uma linha de tábuas de madeira, pregadas verticalmente num ponto de ancoragem no piso e outro no forro. Sobre estas tábuas, são pregadas com cravos de ferro, talas de "gerivá", que é uma árvore fibrosa parente próxima do coqueiro tradicional, deixando uma superfície irregular e porosa.

       Sobre esta superfície horizontal é aplicada a argamassa, geralmente de barro, formando um camada de aderência à madeira e ao gerivá, e outra camada de revestimento aplainado e pintado.

   


DEGRADAÇÃO DAS TÁBUAS NA PAREDE TAIPA-DE-MÃO

As fotos indicam o estado de degradação das tábuas de madeira, 
importantes na estrutura das paredes de taipa de mão. 


             Uma destas paredes estava particularmente comprometida na sua estrutura, pela degradação das tábuas internas que a sustentavam, ocasionada pelo ataque de insetos, como cupins e brocas, por mais de 100 anos.

            Esta avançada degradação afetava a segurança estrutural daquela parede e este foi o motivo da sua remoção, mantendo-se as demais, em melhores condições, especialmente a que forma um dos lados da antiga Sala do Júri.

Paralelo aos trabalho de restauração, vêm sendo aplicados produtos
cupinicidas, para controle da presença e ameaça de cupins


         A decisão sobre a retirada da parede acima referida também viabiliza um ambiente maior, facilitando a chegada ao pavimento superior pelo elevador de pino hidráulico, que será instalado para garantir a acessibilidade plena às pessoas com necessidades especiais.


      O novo ambiente, sem a antiga parede comprometida, incorporou-se perfeitamente ao conjunto do salão principal e ao terraço nos fundos. 




REVESTIMENTO DE PAREDES INTERNAS
REMOVIDO NO PAVIMENTO SUPERIOR

           O revestimento interno de paredes do pavimento superior, apresentava situação preocupante de descolamento, oriundo de muitos anos de agressão pelas umidades provenientes das patologias na cobertura original da edificação. 


         As péssimas condições físicas determinaram a retirada total dos revestimentos internos do pavimento superior e a futura reconstrução de um novo revestimento, no traço e espessuras originais.

       Também identificou-se que, no passado, já haviam sido recuperados estes revestimentos sob intervenção, com indícios de uso de argamassas modernas, já com a incorporação de cimento.




SURPRESA SOB O ASSOALHO,
NA ÁREA PRINCIPAL NO TÉRREO


       A retirada do assoalho do pavilhão principal no térreo do Paço, degradado pela umidade e ação de cupins, mostrou fantásticos apoios construídos com alvenaria de pedra. 


           O assoalho que está sendo retirado indica uma intervenção de recuperação relativamente recente. Pilaretes de tijolos que apoiam a estrutura de madeira, indicam terem sido de fabricação recente em olarias de Cachoeira do Sul.




FUNDAÇÃO E PAREDE DE NIVELAMENTO FEITA DE PEDRA


            Identificou-se que as fundações do Paço Municipal e as alvenarias de nivelamento são executadas em pedra, com o uso harmônico de tamanhos maiores e menores. 


           A técnica construtiva é a mesma utilizada nas fundações e pilares da Ponte de Pedra no Rio Botucaraí e também na Ponte sobre o Rio Jacuí, na atual localidade de Jacuí, que foi construída pelo construtor Ferminiano Pereira Soares, que também havia sido o dono do terreno vendido para a Câmara e o construtor da edificação do Paço Municipal.


         Identifica-se, hoje, sinais indeléveis de conexão na construção da Ponte de Pedra, Ponte do Rio Jacuí e da Casa de Câmara, Júri e Cadeia, o que abre espaço para se imaginar a grandeza de um cachoeirense do passado, construtor, que pela sua iniciativa e capacidade trouxe vivas até nós estas históricas edificações de uma Cachoeira do passado.




ANTIGAS ÁREAS DE ENTRADA VOLTAM À LUZ


          O prédio da Casa de Câmara, Júri e Cadeia, tinha a sua porta principal deslocada para junto de partes térreas da edificação. Tinha também um acesso lateral, pelo atual jardim interno da Prefeitura.

         Estes antigos acessos, tinham patamares de ladrilhos hidráulicos e degraus de granitina que foram deixados ocultos sob o novo assoalho, praticamente na sua condição original. 

        Provavelmente estas mudanças de acesso, ocorreram em uma das recuperações do assoalho do salão principal, em épocas passadas.



RESTAURO DAS PAREDES EXTERNAS 


              O Arquiteto Osni Schroeder e as Arquitetas Elizabeth Thomsen e Aline da Rosa vistoriaram o início dos trabalhos de restauração da argamassa nas paredes externas do pavimento superior.



             Após a análise da estrutura, rugosidade e solidez do revestimento é feita a limpeza nas fissuras para determinar a restauração necessária.






RECUPERAÇÃO E RESTAURO DAS ESQUADRIAS
Foto acima: reconstrução de acordo com modelo original

       As fotos abaixo, indicam a restauração de tampos de madeira, originais na edificação.
 


         O trabalho paciente e meticuloso, observado na data de hoje, já demonstra grande sucesso na ação de restauração das esquadrias de madeira internas e externas.


terça-feira, 1 de março de 2016

Encontro técnico no Paço

           Na manhã de 1º de março de 2016, aconteceu o encontro técnico entre representantes da empresa Construções Granzotto, integrantes do Movimento Pela Restauração do Paço Municipal e do COMPAHC. 


                Participaram também dos trabalhos, vários profissionais de algumas Secretarias Municipais, como a de Obras, Planejamento, Meio Ambiente e Defesa Civil.


Participaram do encontro, na manhã de hoje:

Eng. Guilherme Granzotto, Eng. Marco A. Pozzobon, Prefeito Neiron Viegas,
Cristiano Schumacher, Eng. Livia Pavanello, Arq. Aline da Rosa, Nilton dos Santos,
Adroaldo Borba, José Luiz Zasso, Mariana C. Alves, Rosimeri Michels do Arreal,
 Paulo R. S. da Silveira, Jorge Baldez, Claiton F. Nazar, Ione SanMartin Carlos,
Arq. Osni Schroeder, Arq. Elizabeth Thomsen e Renato Thomsen.



VISITA DO PREFEITO NEIRON

          A reunião teve a presença, em parte do tempo, do Prefeito Neiron Viegas. O chefe do Executivo ressaltou a sua satisfação pelo estágio atual e a qualidade das obras de restauração. 



         A Assessora Rosimeri Michels do Arreal comunicou a liberação de uma das parcelas de pagamento para a empresa Construções Granzotto. Parcela esta que estava atrasada devido a complicações burocráticas. A Assessora também providenciou o devido encaminhamento da documentação indicativa dos serviços já executados e medidos.




       Foi ressaltado ao Prefeito Neiron Viegas a importância de fiscalizar e proibir, com a devida urgência, o trânsito de veículos pesados no entorno da Praça Balthazar de Bem, trânsito este gerador de algumas patologias graves na edificação histórica do Paço Municipal e possivelmente no Chateau D'Eau, assim como na Catedral Nª Sª da Conceição.

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ESPECIALISTA EM ARGAMASSAS

        O centro dos trabalhos desta manhã foi a definição de traços de argamassa nos revestimentos internos e externos de paredes da edificação do Paço Municipal.


        A empresa Construções Granzotto contratou o Engenheiro Civil Marco Antônio Pozzobon, especialista em argamassas, que vistoriou toda a edificação, analisando e identificando todos os tipos de argamassas, inclusive as da parede de taipa-de-mão.



        Esta vistoria foi realizada analisando resultados de testes de argamassas existentes, realizados pela CIENTEC, por exigência do projeto de restauro e providenciados pela empresa Construções Granzotto.


        Ressaltou o Engenheiro Pozzobon que a argamassa a ser usada na restauração de revestimentos tem de ter qualidade que a faça se manter íntegra por muitos anos.  


       Da discussão técnica, alguns princípios foram definidos: O primeiro é de que não haverá retirada total dos revestimentos de paredes, mas será realizada uma avaliação da integridade dos revestimentos e o seu restauro, havendo reconstrução apenas nos locais onde houver descolamento total ou parcial.


       Discutiu-se a definição do traço das argamassas, ficando decidido que se equalize o traço descoberto pela CIENTEC, com materiais existentes hoje no mercado. Seria uma irresponsabilidade definir uma argamassa de baixa resistência para uma edificação tão importante para a cultura cachoeirense.


      O Engenheiro Pozzobon também vistoriou o restauro e em alguns casos a reconstrução de esquadrias, na sua forma original, aprovando as análises técnicas que consideram impossível a restauração de algumas destas esquadrias, em virtude do seu alto estado de degradação e fragilidade estrutural.





        Discutiu-se também as patologias visíveis, como descolamentos e fissuras em todo o prédio, especialmente uma grande rachadura na fachada principal (foto abaixo): 
      

             A participação do pessoal técnico da Secretaria Municipal de Obras possibilitou discussões, direcionando para a solução de 
grampeamento da parede em questão, a fim de recuperar a sua integridade original.






Currículo do Eng. Marco Antônio Pozzobon

 
Graduação em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Santa Maria (1998) e mestrado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Santa Maria (2003). Atualmente é Gerente de Tecnologia do Grupo ANDREETTA e professor concursado do Curso de Engenharia Civil da Universidade de Santa Cruz do Sul. Tem experiência na área de Engenharia Civil, com ênfase em Concreto, Revestimentos Argamassados e Sistemas Construtivos não Convencionais, tais como Paredes de Concreto e Alvenaria Estrutural. Vem atuando principalmente nos seguintes temas: dosagens e controle tecnológico de argamassas industrializadas e concretos especiais; monitoramento e avaliação de sistemas construtivos de alvenaria estrutural, alvenaria de vedação racionalizada e paredes de concreto.



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CONDOMÍNIO UNIÃO DE MOÇOS






            O Arquiteto Osni Schroeder em contato com o Engenheiro Guilherme Granzotto, da empresa que restaura a edificação do Paço Municipal, questionou-o sobre possibilidades técnicas de complementação de restauro da fachada do antigo prédio da União de Moços Católicos, obra paralisada há mais de dez anos.


         O Arquiteto Schroeder informou sobre a decisão dos condôminos do edifício União de Moços em restaurar a fachada preservada, atendendo diretrizes de projeto de restauro aprovado pelo COMPAHC.

       O Engenheiro Granzotto manifestou-se interessado em discutir a possibilidade de atuação da sua empresa em mais uma obra de restauro em Cachoeira do Sul.



          O Engenheiro Pozzobon, especialista em revestimentos de argamassa, verificou as condições físicas da fachada, manifestando-se impressionado com a beleza do conjunto arquitetônico assim como a relativa facilidade e rapidez de restauração, dentro de critérios técnicos.


          As arquitetas Elizabeth Thomsen e Aline da Rosa também acompanharam a visita à fachada tombada. 


Foto: COMPAHC - Nelda Scheidt (1995)